SEXUALIDADE SEM PRECONCEITO

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Neste artigo abordo primeiramente a importância da compreensão da própria sexualidade. Posteriormente continuo esta reflexão como mulher e mãe, enfatizando a importância da educação da sexualidade infantil.

“Desde que o mundo é mundo, a sexualidade é parte essencial da vida do homem. Tem ocupado lugar na mitologia, na filosofia, nas artes, em toda forma de representação e conhecimento humano, inclusive, mais recentemente, nas Ciências.” (Sayão, 2006a).

Compreender a sexualidade “permite expandir a percepção dos limites aos quais cada um está confinado por nossas próprias experiências de vida”. (Rodrigues, Jr. 2006)
A sexualidade é natural nos seres humanos, é uma função como tantas outras. Freqüentemente estimulamos a evolução de nossos filhos em vários aspectos: comer sozinhos, andar, falar, ler, brincar. Quando o tema é sexualidade somos cuidadosos e por vezes fazemos julgamentos prévios. A criança fica com a sensação de que faltam pedaços em seu corpo: elogiamos olhos, perninhas, cabelos, mas evitamos falar em seus órgãos sexuais. (Roche, 2006)

Segundo Sayão (2006b), é preciso distinguir os conceitos de organismo e corpo. O primeiro refere-se à infra-estrutura biológica dos seres humanos. Já o conceito de corpo diz respeito aos significados e sentidos que podemos atribuir a qualquer interação que se estabelece, seja consigo mesmo, com os outros ou com objetos. Ou seja, o corpo é o organismo atravessado por todas as experiências vividas, pela inteligência e pelo desejo. No conceito de corpo, portanto, estão incluídas as dimensões da aprendizagem e todas as potencialidades do indivíduo de se apropriar de suas vivências.

A autora afirma que, a partir deste entendimento, é possível perceber que a abordagem da sexualidade deve ir além das informações sobre anatomia e funcionamento do corpo, pois os órgãos existem dentro de um corpo que pulsa e sente. Ou seja, “sexualidade inclui todas as formas como as pessoas expressam sua busca pelo prazer. Podemos expressar a sexualidade através da dança, do ato teatral, da música, da arte, dos gestos cotidianos, da maneira como expressamos a vida e nossa auto-estima.” (Hellmann, 2006b)

Quando praticamos um esporte, seja uma corrida matinal, malhação na academia, natação, hidroginástica, qualquer atividade física que proporcione prazer, estamos exercitando nossa sexualidade. “O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito. A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos. Precisamos educar nossa capacidade de expressão corporal e nosso modo de pensar para aprendermos a amar e nos entregar por inteiro.” (Hellmann, 2006a)

A educação da sexualidade é um processo que ocorre deste o nascimento até o perecimento do corpo. É sempre possível tornarmos a nossa sexualidade mais saudável, mais harmonizada. O importante é tentar sempre oferecer o melhor na educação sexual de nossos filhos. E, acima de tudo, lembrar sempre que, dependendo da atitude dos pais, as crianças aprendem se sexo é bonito ou feio, certo ou errado. Em outro artigo afirmei que “Muitos pais costumam transmitir suas próprias angústias, preconceitos e neuroses enraizadas para os próprios filhos. Por isto considero extremamente importante uma boa educação sexual.” (Hellmann, 2006c). Acrescento neste momento que, como mãe, tenho a responsabilidade de transmitir confiança, amor e, acima de tudo , esclarecer suas dúvidas referentes à sexualidade para que ele se torne um adulto saudável e equilibrado.

Inicialmente, as dúvidas das crianças dizem respeito às diferenças anatômicas entre os sexos e ao nascimento propriamente dito. Elas fazem suas próprias teorias sexuais, hipóteses acerca de como os bebês vão parar nas barrigas de suas mães. Aos poucos, estas teorias vão sendo questionadas e surgem então as dúvidas a respeito de como são produzidos, enfim, os bebês. (Roche, 2006) Quando as palavras por algum motivo nos fogem, e ficamos sem saber qual a melhor maneira para responder a essas indagações uma dica saudável é: respire fundo, encha o coração de amor e tranqüilidade, escute seu coração e responda da maneira mais simples, objetiva e honesta possível. As crianças percebem o que estamos sentindo.

“As outras vantagens de conversar com os filhos sobre sexo desde as primeiras dúvidas são: aumentar a intimidade e a afetividade entre si; abrir caminhos para que se possa conversar sobre tudo; informar corretamente, reduzindo as fantasias e a ansiedade delas decorrente; e, por fim, prevenir futura gravidez indesejável e contaminações por doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a AIDS, entre outras.” (Roche, 2006)
O aumento desta intimidade fará com que fortaleça a confiança entre os filhos e os pais. Alertar, esclarecer e desmistificar o sexo e a sexualidade fará com que nossos filhos possam se tornar adolescentes e adultos conscientes para tomar as próprias decisões no que se refere a sexualidade.

“Podemos vivenciar nossa sexualidade de forma extremamente benéfica e positiva para um desenvolvimento sadio, desde que feito com muito amor. Reprimir é anular a si próprio. Respeitar, aprender a sentir e escutar as mensagens que seu corpo transmite proporcionará uma elevação da auto-estima. É preciso saber se amar para aprender a amar o outro. Amar o outro é doar-se.” (Hellmann, 2006b)

Outro assunto que deve ser abordado na educação de nossos filhos é referente ao abuso sexual, um assunto que, segundo Roche (2006), que geralmente gera desconforto, mas é fundamental que seja abordado nos dias de hoje, em que vemos os mais assustadores casos de perversão. Para proteger nossos filhos, é preciso transmitir a eles a noção de que sexo é feito somente entre adulto com adulto, e que o amor melhora tudo porque torna mais completo.

Dialogar acima de tudo é o principal. Aprendi isto deste cedo, na educação que recebi sempre tivemos a liberdade para abordar todos os assuntos francamente. Minha mãe, uma grande mulher, sempre procurou esclarecer a todos os nossos questionamentos. E lembro-me que eram muitos! Algumas vezes percebia em seu rosto um certo constrangimento, como se a tivéssemos pegado desprevenida, ou como se ela só então percebesse que estávamos crescendo e querendo descobrir a vida.
A mensagem desta reflexão é: com muito amor e carinho mantenha diálogos honestos com seus filhos, compreenda-os e eduque-os para torná-los adultos que possam amar e viver sua sexualidade de forma saudável e equilibrada.
Géssica Hellmann – Artista Plástica, Designer, Mídia Social e Editora da Revista de Arte Sexualidade e Corporalidade e do Blog “Dicas de Arte”.
Até a proxima edição
Abraços
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