dizem que o ciúme é o tempero do amor

dizem que o ciúme é o tempero do amor. Até pode ser, desde que nenhuma das partes derrame uma colher bem cheia dele no relacionamento. Medidas a mais resultam em brigas, términos de namoro e, em alguns casos, em violência. Aproximadamente 20% dos homicídios cometidos são causados pelo ciúme, apontam algumas pesquisas.

dizem que o ciúme é o tempero do amor
dizem que o ciúme é o tempero do amor

Uma garota que não quis ser identificada acabou recentemente com o namorado que não deixava que ela falasse com os amigos.

Sem permissão, ele apagou da agenda do celular dela todos os nomes de homem. Ele exigia ser avisado todas as vezes que a menina fosse na padaria ao lado de casa. Se ela esquecesse de comunicar, rolava o maior estresse.

Por causa do descontrole do ex-namorado, ela perdeu um amigo e disse que estava ficando tão paranoica quanto o cara. Só brigávamos. E eu não dava motivos, disse.

Para a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari, o ciúme deixa de ser normal quando passa a dominar o relacionamento. Quando a pessoa se deixa dominar pelo ciúme, ela coloca de lado tudo o que lhe dá prazer, tudo o que é bom no seu relacionamento, e passa a espionar, espreitar, buscando fatos e coisas que provem a infidelidade do outro.

Ela identifica vários exemplos de exagero presentes no dia-a-dia de muita gente. Você quer saber quem ligou para ele, de quem é aquele número registrado no celular, de quem é aquele bilhetinho, por que ele demorou tanto tempo na padaria e ainda não trouxe tudo o que você pediu.

Edna Zarino Jorge Alves, psicóloga, supervisora de estágio em Psicoterapia Psicanalítica e coordenadora da clínica psicológica da UniSantos, traduz o ciumento exagerado como uma pessoa com dificuldade de enxergar o outro.

Ele acha que o namorado/a deve satisfazer apenas as suas vontades. Não admite que ele se relacione com os outros, com o trabalho, o esporte. Ele quer sempre o outro por perto. Por isso, controla.

Segundo Edna, o ciumento vê motivos para desconfiar do parceiro, sem que realmente haja indício. É como se fosse um delírio. Para ele, aquilo é coerente. Ele sente que seu afeto está sempre em risco.

Para quem sofre de ciúme, a Edna alerta que o risco de perder estende-se para ambas as partes. Ninguém tem certeza absoluta de que terá o outro para sempre. Se a relação é boa, os dois vão se afastar para viver, trabalhar e estudar, e vão retornar. A distância deixa os dois mais ricos para trocar entre si.

Outra falha cometida pelos ciumentos é o esquecimento de que eles tiveram capacidade de despertar o interesse do outro por suas qualidades. O ciumento costuma ser muito inseguro e tem baixa auto-estima.

Edna lembra para casais que vivem o problema que amor é construir com a pessoa, dividir planos e afinidades e ter admiração pelo outro. Não tem nada a ver com amor destrutivo, inveja e agressividade verbal ou física.

Para quem convive com o ciumento, ela diz para não entrar em uma fria e não se culpar. O problema é dele. Para o ciumento, o conselho é se cuidar e, se for preciso, buscar ajuda profissional.

Infelizmente, poucas pessoas se acham predispostas a aceitar que o ciúme excessivo é um problema pessoal e subjetivo. Poucas consideram a possibilidade de que ele não corresponda à realidade. A maioria delas não percebe que seu ciúme exagerado pode destruir um relacionamento, mesmo que exista o mais forte, puro e verdadeiro amor. Afinal, você quer perder de vez a pessoa amada?, cutuca Olga.

* A frase Eu me mordo de ciúmes, do título, vem da música Ciúme, gravada pela banda Ultraje a Rigor, que fez sucesso nos anos 80.

Ciúme do bem
Situação: Você está em um barzinho com o namorado/a, e passa outra pessoa desviando a atenção dele.
O que acontece? Segundo a psicóloga Edna Zarino Jorge Alves, nesta situação é comum sentir ciúme porque todo mundo quer atenção e respeito, seja do namorado, do amigo, da mãe. O ciúme é um sentimento universal que envolve receio de perder o amor, a pessoa por quem se tem admiração. Ciúme independe de idade ou sexo.

Ciúme do mal
Situação: Imagine que seu parceiro resolveu dar um presente para você, um relógio novo, por exemplo. Ele esconde o presente para dar a você no final de semana, quando vocês forem viajar. Mas você, bisbilhotando o armário dele, acaba descobrindo o relógio. Você começa a imaginar mil coisas. Seu parceiro explica porque escondeu o relógio, que seria uma surpresa. Você não acredita e não pára de torturá-lo perguntando de quem ele ganhou aquele presente. Ele pode explicar mil vezes a mesma cisa. Você não vai acreditar em nada do que ele disser porque você já tirou as suas próprias conclusões. Foi a outra que lhe deu o presente e seu parceiro vai ter que confessar, custe o que custar.

O que acontece? A psicóloga Olga Inês Tessari, que criou a situação acima, explica que a pessoa ciumenta tem a capacidade de fantasiar, imaginar e criar a sua história, tirar as suas próprias conclusões e achar que está certíssima. Ela alimenta esta fantasia real com pensamentos e imagens distorcidos que, por sua vez, levam a novos pensamentos distorcidos, um ciclo vicioso.

Sinais que indicam ciúme exagerado

-Não aceitar que o parceiro faça um programa (com amigos, por exemplo) sem a sua companhia;
-Mexer nas coisas pessoais do seu parceiro (gavetas, armários, pastas, bolsos, carteira, celular etc…);
-Sentir a necessidade de saber sempre onde o outro está. Ligar para casa dos amigos para confirmar a sua presença ou aparecer no local;
-Preparar armadilhas. Pedir a alguém que se insinue ao seu parceiro para ver qual a reação dele;
-Desconfiar de tudo e de todos.

Dra Olga Inês Tessari na mídia – entrevistas e consultorias
Publicado no Jornal A Tribuna – Caderno Tribu
por Fernanda Mello
Olha o ciúme aí galera! Se não confia no(a) seu parceiro(a), e já está obcecado por ele(a), já não é mais amor… é possessão. É necessário consultar um especialista.
Até mais
Tudo sobre o namoro: manual para garotas, sexualidade, traição, infidelidade, amor, romance, paixão, dicas, testes, pesquisas, sexualidade, verdades e mentiras, sexo, inveja, vídeos

Aurelio

3 comentários sobre “dizem que o ciúme é o tempero do amor

  1. Olá! Estou em um relacionamento que já ultrapassa os limites do aceitável. Tornou-se abusivo, com a minha parceira se mostrando excessivamente ciumenta. Fica olhando minhas redes sociais, as chamadas recebidas no meu celular, mensagens no Whatsapp, SMS e até a galeria de fotos no aparelho, minhas pastas no computador, meus pen drives, minha mochila, minhas gavetas, e ao que mais tiver acesso, para ver se encontra possíveis “vestígios” de traição da minha parte.
    Ela alega que eu dei / dou motivos para ter esse ciúme. Tudo começou, quando eu lhe emprestei (dei, na verdade) um aparelho celular que estava comigo sem uso, e eu havia esquecido que o meu Messenger estava aberto lá, entraram mensagens de uma mulher com a qual havia combinado de me encontrar – ainda não me sentia compromissado – e qual foi a reação dela ao ouvir os “plins” do aplicativo! Ela começou a me encher de perguntas e me cobrar, e eu tive de dar muitas explicações. Até que me perdoou, e seguimos juntos. Mas as bisbilhotagens nos meus dispositivos seguiram.
    Deixei de ir a diversas programações de amigos e excursões das quais estava participando com eles, para fazer os nossos programas de casal. Fui obrigado a cortar contato com mulheres de quem eu era amigo, deletar o número de telefone da minha agenda e bloquear nas redes sociais, em nome do nosso relacionamento. Até para ir à padaria perto de casa era um estresse: ela, quando estava na minha casa, e eu queria buscar algo para a gente comer, me obrigava a deixar o celular em casa, porque, segundo ela, “daria chance para eu ficar mandando mensagens para as ‘periguetes'”. Ela não me deixava sair enquanto não atendesse esse pedido dela, ficava insistindo.
    O pior é que eu não estou conseguindo me desvencilhar desse relacionamento, pois tenho uma afeição por ela, acho-a prestativa, cordial e muito divertida. Apesar de às vezes, a gente discutir e brigar. E isso está afetando, e muito, minha saúde mental.
    Estou fazendo terapia com um psicólogo, mas comecei recentemente com esse profissional, que recém está conhecendo minha trajetória de vida.
    Já estive em tempos mais difíceis, em relacionamentos anteriores. Por isso, acho que muito em breve voltarei a ter minha autoestima mais elevada, podendo fazer as coisas que aprecio, sair a hora que bem quiser, com quem quiser, conversar com quem bem entender, sem medo de ser pego, etc.

    1. Olá Guilherme, li seu depoimento e lamento pela situação que você está passando. Poderia te dar inúmeras dicas para melhorar esse relacionamento, mas creio que, infelizmente, conviver com pessoas assim, na verdade, é pura castração, em todos os sentidos. Amor pressupõe, antes de tudo, confiança, companheirismo, e tolerância, dentro dos parâmetros concebíveis pelas duas pessoas num relacionamento.

      Possessão, é outra história. Não é amor, é obsessão, e torna a vida do casal simplesmente insuportável, seja por parte dela, que vê em você um galinha, mesmo dando provas que não é, a dor da insegurança, que vive martelando a cabeça dela, a chegar o ponto de fazer qualquer loucura, somente para comprovar que você pula a cerca.

      Do seu lado, amigo, sobra somente a poda de suas amizades, dos seus passeios só, dos seus momentos de lazer que são simplesmente retirados de você.

      Damos o nome de relacionamento tóxico, porque não faz bem a nenhum dos dois, segrega, fere, muito difícil conviver assim. Se você a ama muito, e não pode viver sem ela a seu lado, o terapeuta poderá ajudá-lo, mas tipo, para você conseguir tolerar mais, se sacrificar sem sentir. Caso leia essa resposta, pergunto a você: será que ela foi procurar ajuda psicológica, ou vai continuar assim? Afinal, nada irá mudar nela, sem que ela pelo menos tente mudar, nem que seja um pouquinho.

      A melhor sugestão, embora possa parecer de minha parte até fria, é separar-se dela. Com todo o cuidado para não magoar demais, mas saiba que, se ela é obcecada por você… temo que irá atrás, onde quer que você esteja, e com quem esteja.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.